sábado, 10 de outubro de 2009

Escrevendo (e Editando) a História da Minha Arte

Mal tive tempo para este post. Comecei a escrever ontem e terminei hoje, domingo à noite.

A minha paixão pelo Audiovisual é tanta que eu não me contentei apenas em ver o trabalho dos artistas e técnicos. Eu tinha que, de alguma forma, fazer parte disso.
Eu fiz o curso de Cinema Digital, que abrange todos os passos do processo: roteiro, produção, fotografia, áudio, direção e edição. Quem faz o curso tem interesse por categoria(s) específica(s), mas o curso aborda tudo. No final cada grupo faz o seu filme com duração máxima de 10 minutos.

Inicialmente, eu me identifiquei mais com as funções de direção e edição. Mas depois do curso eu acabei deixando a direção de lado. Essa arte eu continuei admirando como fã de cinema mesmo.

Por outro lado eu não conseguia me ver escrevendo roteiros, que eu não tinha esse talento. No meio do curso eu cheguei a comentar isso com um dos professores - professora, melhor dizendo. Ela duvidou na hora. Nós conversamos sobre isso. Me lembro que foi no mesmo dia em que comemoramos o aniversário de 26 anos dela.

O tempo passou, o curso acabou e, mesmo depois disso, eu não via nenhum sinal de que tinha jeito para isso. Até que um dia eu percebi o meu crescente interesse por formatação e linguagem específica de roteiro, e fiquei com vontade de colocar em prática. O resultado foi um roteiro para um curta metragem que eu escrevi chamado Surpresa. Além desse, eu escrevi outros roteiros também para curta metragem. Descobrir meu talento de contar uma estória, às vezes uma estória já conhecida, de forma articulada e criativa, além de tantos outros conhecimentos preciosos que eu aprendi na prática. Eu fiquei feliz, mas não cheguei a ficar surpreso. De alguma forma é como se tudo fizesse sentido (e fez). A professora não plantou uma semente na minha cabeça. Mas acho que ela viu a semente que já existia.
Os direitos para filmagem do meu roteiro Surpresa pertencem à Eventos PG, que trabalha com TV e vídeo. Não é um contrato de exclusividade permanente. Na época da negociação eu determinei que há um prazo razoável para concluirem as filmagens. Depois disso os direitos poderiam ser transferidos.

E é verdade: escrever exige disciplina. Atualmente estou escrevendo um roteiro para longa metragem. Não é um roteiro encomendado, estou escrevendo por pura inspiração, da mesma forma como eu escrevi os outros. Pelo que eu estou percebendo, não é uma estória simples. Serão necessárias 180 a 210 páginas, o que equivale a uma duração de 3 a 3 horas e meia. Por enquanto eu prefiro não entrar em detalhes sobre o tema.

Sobre o meu outro dom no Audiovisual, a edição sempre foi o que eu mais gosto e o que eu melhor sei fazer. Edição também é conhecida como montagem, termo que frequentemente é confundido com efeitos especiais. Montagem ou edição é a parte final do processo. Após as filmagens, você tem inúmeras tomadas. Uma tomada, ou take, compreende uma única imagem que é estabelecida entre um corte e outro da câmera. Muitos takes são repetições, aí você escolhe a melhor. Você tem que contar a estória com imagens e também com as trilhas de áudio.

Na época da pelicula de cinema, isso era feito numa mesa de edição chamada moviola. Hoje tudo é feito através do computador. Você tem muitas imagens e decide coisas como: 'esta imagem vem antes daquela? Não, é melhor ficar depois (ou o contrário). E na verdade eu preciso de apenas parte deste take'. E você também define onde exatamente cada tomada começa e termina. A forma como você combina ou recombina as imagens muda totalmente o significado da cena como um todo. Seja na película do cinema ou no digital, cada 1 segundo de take é composto por 24 frames. Uma das definições clássicas que se utiliza para se entender a arte da edição é: o escritor trabalha com a palavra, o músico trabalha com a nota, e o editor trabalha com o frame. E, como foi dito em um documentário sobre o assunto, dependendo do tipo da cena, um frame a mais ou a menos, ou dois frames a mais, realmente pode fazer a diferença entre um ótimo trabalho e um péssimo trabalho. Você edita de modo para que a estória fique da melhor forma para a compreensão do espectador, segundo o roteiro e segundo o que você quer transmitir.

Atualmente eu procuro editar qualquer tipo de trabalho Audiovisual, de cinema digital - passando por vídeo e TV - à edição de filmagem de eventos em geral. Porque na edição a arte é a mesma e o prazer é o mesmo.




Sem comentários: